60% das buscas no Google já não resultam mais em cliques. Ao mesmo tempo, milhões de conversas acontecem no ChatGPT, Perplexity, Gemini e Claude, espaços onde a sua marca pode estar sendo citada, recomendada ou até completamente ausente.
A inteligência artificial e seus mecanismos de busca não funcionam como o Google. Eles não classificam links; eles sintetizam, reformulam e fazem afirmações.
Quando um LLM responde sobre a sua marca, ele não diz: “Aqui estão 10 resultados”.
Ele diz: “Aqui está o que você precisa saber”, e o que ele “sabe” depende inteiramente dos dados que conseguiu integrar, incluindo, é claro, seus polemicas, erros e tudo o que é mencionado sobre sua marca (bom ou ruim).
A busca do Google exibe resultados e permite que você decida, o LLM fornece uma única resposta, apresentada como verdadeira, na maioria das vezes sem uma fonte visível. O problema é que essa resposta é construída a partir de dados de treinamento que misturam livremente artigos de notícias sérios, posts de blogs, discussões do Reddit e outras redes sociais, além de conteúdo viral, sem qualquer hierarquia real de confiabilidade.
As respostas podem variar enormemente de um LLM para outro. O ChatGPT pode apresentá-lo como um especialista reconhecido, enquanto o Gemini o ignora completamente ou, pior ainda, o associa a uma situação que é melhor esquecer.
Essa é a principal diferença em relação ao SEO tradicional. Na Busca do Google, você pode trabalhar no seu SEO para empurrar um resultado negativo para a página 2 ou 3. Em um LLM não existe página 2, existe apenas uma resposta, e se ela estiver contaminada por uma crise passada, você praticamente não tem poder de influência direta para alterá-la.
Podemos mudar o que a IA diz sobre nossa marca?
A resposta simples é não.
Diferente do Google, onde você trabalha o SEO de forma mais direta, nas respostas geradas por inteligência artificial a lógica muda um pouco. Aqui, o impacto vem do tipo de conteúdo que você publica: quanto mais factual, bem embasado e com autoridade, maiores as chances de ele influenciar os modelos no futuro. Esse é o conceito por trás do GEO (Generative Engine Optimization).
O que você produz hoje pode se tornar a base das respostas e das estratégias de SEM amanhã.
Hoje, conteúdos antigos (mesmo de anos atrás) ainda podem aparecer nas respostas de IAs como ChatGPT ou Gemini se continuarem relevantes e bem distribuídos na internet. Diferente do SEO tradicional, não existe um botão para “remover” sua marca dessas respostas. O que acontece é que a IA se apoia no que está mais disponível, consistente e confiável no ecossistema digital. Ou seja, se um caso isolado ganhou muita repercussão e ainda está presente em sites fortes ou bem ranqueado no Google Search, ele pode, sim, ser considerado na construção da resposta; principalmente em perguntas mais críticas ou sensíveis.
Mas isso não significa que a narrativa está perdida. Na prática, o que muda a situação de uma empresa, é a capacidade da marca de construir novos sinais mais relevantes ao longo do tempo. Resumindo, quanto mais conteúdo atualizado, estruturado e confiável você publica maior a chance da IA passar a priorizar esse novo contexto.
Em vez de tentar apagar o passado, a estratégia mais eficaz é equilibrar a percepção: substituir um episódio isolado por uma história mais completa, consistente e atual sobre a marca.
Aprenda como monitorar sua marca na LLM
Em paralelo, é prudente implementar o monitoramento regular de mecanismos de busca com IA. O protocolo é bastante simples: consulte o ChatGPT, Perplexity, Gemini e Claude sobre sua marca uma vez por mês. Compare as respostas e, em seguida, cruze-as com os dados das suas ferramentas de SEO. A discrepância entre o que a IA diz sobre sua marca e a realidade do que os usuários buscam costumam ser muito reveladoras e quase sempre permitem criar planos de ação. As marcas que entenderem isso agora terão uma vantagem significativa para aparecem nas respostas de IA.
Para colocar em prática:
Faça o seguinte exercício: pegue as 5 perguntas que seus potenciais clientes ou leads fazem com mais frequência antes de comprar seu produto ou serviço. Anote, para cada pergunta, se a sua marca aparece na resposta, se os seus concorrentes estão lá e que tipo de conteúdo é citado.
Além disso, faça essas perguntas ao ChatGPT, Gemini, Perplexity ou qualquer outra IA que queira:
- O que você acha da [marca]?
- Quais são os problemas da [marca]?
- A [marca] é confiável?
Anote as discrepâncias e as informações desatualizadas ou incorretas.
Em 30 ou 40 minutos, você terá um mapeamento da sua visibilidade em IA
Vale a pena adicionar uma camada de monitoramento sobre o que os LLMs dizem sobre nossas marcas, nossos concorrentes e o nosso setor.
O conceito das pesquisas já mudou
De acordo com o Previsible AI Traffic Report 2025, o tráfego originado por IA cresceu 527% em apenas cinco meses. Na análise, o total de sessões originadas por IA saltou de 17.076 para 107.100. Comparando janeiro x maio de 2025 com o mesmo período de 2024, as sessões vindas de IA cresceram de 17.076 para 107.100. Isso representa um crescimento de 527%.
Alguns sites já estão visualizando mais de 1% de todas as sessões vindas de LLMs. O tráfego vindo de ChatGPT, Claude e outros está dobrando ou triplicando em setores como jurídico, saúde e finanças. Conteúdos que são complexos ou consultivos, que em muitas vezes o usuário possui dificuldade de entendimento dos termos técnicos.
Embora a Gartner preveja uma queda de 25% no volume de buscas tradicionais até 2026, dados mais recentes mostram que essa mudança já está em curso com o crescimento acelerado do AI search, aumento de experiências sem clique e uma nova lógica de descoberta baseada em respostas, não em links.
Lembre-se, a busca do Google está se transformando em um motor de respostas, não de cliques. Portanto quem estiver melhor preparado aparecerá na grande maioria das respostas.


